domingo, 16 de setembro de 2007

Music makes the people come together?

Vivo me arrependendo de coisas da adolescência. Não, nada demais, creio eu. Não tenho histórias constrangedoras para contar. O problema era meu gosto musical. E, pior, as coisas que deixei passar em branco, que ultimamente, tem feito eu correr atrás feito louco.

Ok, vamos situar a ação: eu era adolescente nos anos 90, era do Grunge, do (argh!) New Metal e do início da febre da música eletrônica.

As bandas que eu curtia? Nirvana (e quem não curtia?), Blink 182 (podem me bater), Green Day e otras cositas. Adorava dizer que não gostava do que tocava na rádio, ignorando o fato de que as três bandas acima não saiam das rádios. Me gabava por ser underground, mas jamais conheci Filter, por exemplo, banda que descobri recentemente. Adorava as principais bandas do Grunge, mas deixei passar Screaming Trees e Stone Temple Pilots, minhas favoritas hoje em dia.

Mas o problema é que eu adorava falar que a época não era propícia a música. Aliás, que merdinha ignorante eu era, apesar de a crítica musical apoiar minha opinião firmemente. Por Deus! Como uma década pode ter sido fraca, considerando queas seguintes bandas surgiram (ou começaram a aparecer na mídia brasileira): Faith No More, Nirvana, Peral Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Sonic Youth, Mudhoney, Stone Temple Pilots, Filter, Queens Of The Stone Age, Kyuss, Monster Magnet, Teenage Fanclub, Weezer... ?

Isso só pra citar algumas...

Fato também, que agora na minha juventude, vejo que não há uma banda sequer que tenha aparecido na década que faça juz a alguma das anteriores. A não ser, Army Of Anyone, por exemplo, que tem membros do Filter e do Stone Temple Pilots... ou Velvet Revolver... que tem mebros do Guns e do Stone Temple Pilots... ou o Audioslave que teve membros do Soundgarden e do Rage Against The Machine... enfim, deu pra entender, né?

Pequeno apanhado: Strokes? Faz-me rir... no máximo bem produzida. Arctic Monkeys? huaehuaeuheahuaeuheauhae... enfim chega...

A década atual se resume a emos (NX Zero), bandas querendo ser punk sujo (The Hives) ou nostalgia anos 80 (The Killers).

Pelo menos é isso que vem aparecendo. Claro que há bandas boas. Com dificuldade lembro de Interpol, por exemplo.

Porém, se a regra de como passei a década de 90 se aplicar a essa, será que vou descobrir que esse bando de porcarias na verdade... não eram porcarias?

Enfim, fica a pergunta: Será que nunca fico satisfeito com o que está a minha disposição?

sábado, 15 de setembro de 2007

Idade perfeita

— Amor, vem pra cama...

— Já vou... Deixa eu só terminar aqui.

— Mas o que você tanto faz nesse computador, afinal?

— Conversando no eme-esse-ene. Alguém me adicionou agora há pouco e to tentando descobrir quem é.

— Oxe, mas essas coisas não dizem com quem você está falando?

— Sim, dizem... mas acontece que pode colocar um nome qualquer, um codinome... ou nickname, como prefere dizer o Cris. Vem cá dar uma olhada... Está vendo?

— Hmmm... Você não acha que está muito velho pra ficar batendo papo pela Internet, não? Até mês passado você dizia que uma calculadora e uma caderneta foram o suficiente pra você sempre se virar na vida, não dizia?

— Sim! E são! Isso aqui é só pra passar o tempo mesmo...

— Ah, claro! Tempo que você deveria estar cumprindo suas obrigações comigo! Ou já se esqueceu que hoje é quarta-feira? “Sem a lembrança do tédio do fim de semana e sem o peso do trabalhando prometendo ruir com o fim de semana que chegaria”. Foram suas palavras. Agora cumpra!

— Já vou meu docinho, já vou...

— Docinho... faz quanto tempo que você não me chama desta maneira, hein?

— Num sei...

— Quinze,  talvez vinte anos... acho que desde que as crianças nasceram... você não acha isso um pouco triste?

— É... um pouco...

— Sabe, ás vezes tenho saudades de quando éramos mais jovens, saudade dos apelidos carinhosos... meio bobos também...

— É, bobos...

— Roberto! Tu ta prestando atenção numa palavra do que eu to dizendo?

— Claro, doçura, claro que tô. Você tem saudades. Eu também. Pelo menos naquele tempo a gente não tinha que decifrar coisas como um S e um 2 significarem um coração.

— É. E também não tínhamos que ter dia e hora marcada pra fazer sexo. Vamos! Termine logo isso aí que amanha ainda tenho que ir à psicóloga com a Rafaela. Aquela menina anda muito estranha. Demais pro meu gosto.

— Espera aí um pouquinho, acho que você vai querer ver isto...

— O que?

— Acho que tem uma adolescente cantando o seu maridão pelo computador!

— Sim, é o único jeito mesmo de uma adolescente se interessar por você...

— Putz, não precisa fica agressiva, né? Tudo isso é ciúmes, é?

— Sim, claro... ciúmes... eu to morrendo de ciúmes da ... como é isso? “Ondinha-ondinha-estrelinhas-sad-stars-estrelinhas-ondinha ao contrário-ondinha ao contrário”.

— Bobagem, é ciúmes sim... pena que a foto está distorcida, não dá pra ver direito. Senão você veria que gatinha que ela deve ser... e fica me chamando de “daddy”.

— Que coisa ridícula... aposto que você nem sabe se é uma gatinha ou um gatinho!

— Mas é lógico que é uma menina, ora bolas! Por que diabos um garoto estaria dando em cima de um cinquentão como eu?

— Mas se eu não consigo imaginar nem porque uma garota estaria! O que que esta suposta garota tanto fala?

— Ela fica me chamando de “daddy”, disse que eu estava lindo hoje, bem vestido, que aquela calça com listras combinava bem com camisa, que eu tinha ótimo gosto...

— Mas quer dizer que esta vadia está te vendo? Roberto! O que você anda aprontando?

— Agora quem está sendo ridícula é você, dona Maria Paula. É claro que não estou fazendo nada... talvez seja alguma daquelas adolescentes estagiárias novas da empresa, ou alguém que almoça no mesmo restaurante que eu... o fato... o fato é que sou irresistível, e começava a me perguntar quando chegaria na idade certa pra deixar estas menininhas se mijando por minha causa.

— Ah não! Essa foi a quota do dia... ria, isso! Ria bastante! Vou ao banheiro escovar meus dentes e em cinco minutos estarei de volta. Quero este computador desligado, o incenso aceso, música no volume cinco e uma ereção a caminho!

Cinco muitos depois.

— Ah, que bom que desligou...

— É, digamos que a papo ficou meio pesado... e achei mais prudente desligar...

— Meio pesado?

— É. Coisas que você nem gostaria de saber...

— Bobo, se sua cara de mentiroso já não bastasse pra te entregar, eu acho que tenho uma forte pista de quem é sua admiradora...

— Ah, é? Quem você acha que é?

— É que acabo de passar em frente ao quarto dos seus filhos e adivinhe? A luz estava acesa... tive que mandar o Cris e a Rafa desligarem e irem para a cama urgente. E sabe o que eles faziam?

— O que?

— Um tal de eme-esse-ene!

— Você ta querendo dizer que eu tava falando com a minha própria filha?

— Você acha que alguém mais te chamaria de daddy? Não me faça rir... só ela e seu filho mesmo... ei, será que não era o Cris, não?

— Como saber? Eu tinha que decifrar cada palavra escrita naquele negócio! Letra maiúscula, letra minúscula, “x” aos borbotões, a extinção total de vogais, acentos ou qualquer outra regra gramatical! Tudo era “aum”, “aum”, “aummm”. Mas pera ai! O Cris?

— Bem... você tem visto, né? Esta nova onda que ele está passando... cabelo comprido lambido do lado sobre os olhos, lápis sobre os olhos, rosto sempre lisinho, piercing no mamilo...

— Mamilo?!

— E você não sabia?

— Mas esse moleque tá virando viado?

— Não fala bobagem, Roberto! E não fala assim do seu filho. Não é nada disso, eu tava lendo numa revista no consultório estes dias, chamam de eno, ento, emo... algo do tipo... uma outra hora eu te explico. Agora vamos, antes que seja quinta-feira...

Cinco minutos depois dos cinco minutos de sexo.

— Paulinha?

— Que?

— Acho que sei quem era?

— Era o Cris mesmo?

— Não, era a Rafaela.

— Hmmm... menos mal. Mas como você pode ter certeza agora?

— Pelo motivo que me fez desligar o computador.

— Qual?

— Ela disse que estava grávida.